Terça-feira, Dezembro 8
Gripe A: actualização
Será talvez interessante actualizar a informação dos gráficos deste post, para observarmos como tem evoluído a gripe A nos Estados Unidos, o país onde se registaram mais mortes até ao momento (gráficos do CDC):


Sem dúvida que está a ser um ano diferente e felizmente a gripe A tem vindo a diminuir de actividade nos EUA nestas últimas semanas. É fácil imaginar que as curvas vão continuar a diminuir de forma significativa até chegar praticamente a zero, como de resto suponho que terá acontecido em países do hemisfério sul, como o Brasil, a Argentina ou a Austrália. No entanto, algo me diz que seria demasiado fácil: se compararmos com os anos anteriores, observamos que a época típica da gripe sazonal (a das curvas a verde no gráfico de cima, com início a partir da semana ~52) este ano ainda nem começou... Por outro lado, começam a ser confirmadas mutações do vírus em vários países, bem como casos de infecções duplas, como se vê no final da "pandemic timeline" da wikipédia.
Provavelmente o melhor será, tranquilamente, continuar a seguir a situação, sem tentar prever demasiado e esperando que tudo corra pelo melhor.


Sem dúvida que está a ser um ano diferente e felizmente a gripe A tem vindo a diminuir de actividade nos EUA nestas últimas semanas. É fácil imaginar que as curvas vão continuar a diminuir de forma significativa até chegar praticamente a zero, como de resto suponho que terá acontecido em países do hemisfério sul, como o Brasil, a Argentina ou a Austrália. No entanto, algo me diz que seria demasiado fácil: se compararmos com os anos anteriores, observamos que a época típica da gripe sazonal (a das curvas a verde no gráfico de cima, com início a partir da semana ~52) este ano ainda nem começou... Por outro lado, começam a ser confirmadas mutações do vírus em vários países, bem como casos de infecções duplas, como se vê no final da "pandemic timeline" da wikipédia.
Provavelmente o melhor será, tranquilamente, continuar a seguir a situação, sem tentar prever demasiado e esperando que tudo corra pelo melhor.
Sexta-feira, Dezembro 4
Oh! Srº Deputado, isto não é um interrogatório policial!
(...) e se, de repente:
1) perante a pergunta de um professor o aluno respondesse
- Oh! Srº Professor, isto não é um interrogatório policial!
2) perante uma questão de um aluno o professor respondesse
- Oh! Meu caro, isto não é um interrogatório policial!
3) perante uma pergunta de um juiz o réu respondesse
- Oh! Meritíssimo Juiz, isto não é um interrogatório policial!
4) perante uma questão de um polícia o sujeito respondesse
- Oh! Srº Agente, isto não é um interrogatório policial!
(Ah! Espera... este é :) )
5) perante alguém que pergunta as horas, o interlocutor respondesse
- Oh! Chefe, isto não é um interrogatório policial!
6) perante o médico que pergunta as queixas, o doente respondesse
- Oh! Srº Drº, isto não é um interrogatório policial!
7) perante um jornalista que faz uma questão ao entrevistado:
- Oh! Xico, isto não é um interrogatório policial!
...

1) perante a pergunta de um professor o aluno respondesse
- Oh! Srº Professor, isto não é um interrogatório policial!
2) perante uma questão de um aluno o professor respondesse
- Oh! Meu caro, isto não é um interrogatório policial!
3) perante uma pergunta de um juiz o réu respondesse
- Oh! Meritíssimo Juiz, isto não é um interrogatório policial!
4) perante uma questão de um polícia o sujeito respondesse
- Oh! Srº Agente, isto não é um interrogatório policial!
(Ah! Espera... este é :) )
5) perante alguém que pergunta as horas, o interlocutor respondesse
- Oh! Chefe, isto não é um interrogatório policial!
6) perante o médico que pergunta as queixas, o doente respondesse
- Oh! Srº Drº, isto não é um interrogatório policial!
7) perante um jornalista que faz uma questão ao entrevistado:
- Oh! Xico, isto não é um interrogatório policial!
...
Terça-feira, Dezembro 1
Climategate
Já por diversas vezes li as mais rebuscadas teorias sobre as mais diversas situações. Na esmagadora maioria dos casos não perco muito tempo porque é notória a base de "teoria da conspiração" que move os autores. O que eu não estava à espera era disto. Estava perfeitamente convencido do aquecimento global e nem tampouco ouvia os argumentos contrários (e como os ouvi!!)...
A história pode também ser vista aqui.
Neste momento nem sei o que pensar... a minha confiança na ciência e no processo de revisão pelos pares ficou abalada. Resta-me esperar que este assunto seja devidamente esclarecido!
A história pode também ser vista aqui.
Neste momento nem sei o que pensar... a minha confiança na ciência e no processo de revisão pelos pares ficou abalada. Resta-me esperar que este assunto seja devidamente esclarecido!
Sábado, Novembro 21
O Mandelbulb 3D...
...ou uma tentativa de criar uma versão tridimensional do conjunto de Mandelbrot. Há bonitas imagens aqui, mas tudo é ainda mais belo quando para além da complexidade se vê a extrema simplicidade. E na complexa natureza, que outras simplicidades se vão ainda descobrir?


Sábado, Outubro 17
O trigo e o joio
Há dias o bastonário da Ordem dos Médicos dizia que a gripe A "não passa de uma gripe, uma doença banal, pouco letal". Hoje chega-me este vídeo, muito divulgado em blogues, supostamente de uma ex-ministra da Saúde da Finlândia com umas teorias de conspiração bastante desvairadas sobre a gripe A. Com uma pesquisa rápida na incerta wikipédia, vejo que a senhora nunca foi ministra da saúde, mas gosta de se apresentar como tendo sido e pelos vistos não regula muito bem.
Vivemos cada vez mais submergidos por informação, muita dela irrelevante (spam, publicidade), que só nos faz perder tempo. Também por isso temos cada vez mais dificuldade em analisar a fiabilidade da informação que recebemos. Pessoalmente, sobre a gripe A, gosto de seguir o blogue de João Vasconcelos Costa que me parece prudente e equilibrado e sobretudo, o site do CDC, de onde vêm os gráficos abaixo e que me dizem que a gripe A não é tão banal quanto certas fontes supostamente credíveis poderiam deixar supor. É uma doença diferente, poderá não ser tão preocupante quanto ao princípio se julgava, mas é real (não é uma conspiração) e a sua evolução deve ser acompanhada com atenção.


Vivemos cada vez mais submergidos por informação, muita dela irrelevante (spam, publicidade), que só nos faz perder tempo. Também por isso temos cada vez mais dificuldade em analisar a fiabilidade da informação que recebemos. Pessoalmente, sobre a gripe A, gosto de seguir o blogue de João Vasconcelos Costa que me parece prudente e equilibrado e sobretudo, o site do CDC, de onde vêm os gráficos abaixo e que me dizem que a gripe A não é tão banal quanto certas fontes supostamente credíveis poderiam deixar supor. É uma doença diferente, poderá não ser tão preocupante quanto ao princípio se julgava, mas é real (não é uma conspiração) e a sua evolução deve ser acompanhada com atenção.


Terça-feira, Outubro 13
O Bicho Homem e os outros
nanomundo: no combate ao cancro
Lá estarei
Segunda-feira, Outubro 12
Fracos amores
Elisa Ferreira (1/10/2009, durante a campanha):"Eu perco uma gamela para vir para o Porto por amor à cidade."
Elisa Ferreira (11/10/2009, após a campanha): Não vem para o Porto por amor à cidade, ganha uma gamela.
Elisa Ferreira (11/10/2009, após a campanha): Não vem para o Porto por amor à cidade, ganha uma gamela.
Quarta-feira, Outubro 7
Antes de o oxigénio ser descoberto já algo andava no ar...
No livro "The Story of Alchemy and the Beginnings of Chemistry" de M.M. Pattison Muir é referido, citando Hoefer, o que poderá ser a primeira referência ao oxigénio num texto do alquimista do século XVI Basil Valentine. Falando do espírito do mercúrio este alquimista escreveu: origem de todos os metais; esse espírito não é mais que do ar a voar aqui e acolá sem asas; é um vento em movimento, o qual depois de caçado do seu lar Vulcano (ou seja o fogo), volta ao caos; então expande-se e passa para as regiões do ar de onde veio. Pode parecer confuso como a maioria dos textos alquímicos, mas não deixa de fazer algum sentido em termos das propriedades do oxigénio.Sábado, Outubro 3
Observação superficial: figuras de geometria na pedagogia e psicologia
Nos últimos tempos tenho-me deparado com modelos usados em contextos pedagógicos que associam um objecto geométrico ou gráfico a um nome: o vê de Godwin, a espiral de Orion, a escada (e a roda) de Bloom, o triângulo de Johnstone. E em contextos mais gerais já encontrei a janela de Johari e a pirâmide de Maslow. Tudo isto deve ter algum sentido, ou profundo, ou superficial, ou é apenas coincidência. A semiótica poderá ser interessante, mas já não faz as delícias da conversa de salão.A invenção do conceito de oxigénio
Hoje toda a gente sabe que há um gás que representa um quinto da atmosfera que se chama oxigénio e que é fundamental para a respiração dos seres vivos. E que o oxigénio do ar reage com os materiais que são queimados. Mas nem sempre foi assim. Os químicos do século dezoito achavam que as coisas que eram queimadas emitiam uma substância a que chamavam flogisto que aquecia o ar. Ninguém pensava que a combustão tivesse algo que ver com o ar. Priestley, Lavoisier, Scheele e Dalton mudaram tudo, mas devagar e ao longo de vários anos...
Quando Priestley primeiro isolou o oxigénio julgou que tinha obtido gás hilariante. Um ano depois concluiu que tinha removido o flogisto do ar. Ao mesmo tempo Lavoisier também isolou o oxigénio e julgou tratar-se de ar num estado muito puro. Dois anos depois concluiu que era afinal uma parte do ar, mas que só existia quando este era aquecido. Acompanhando o trabalho de Priestley e Lavoisier, Scheele, depois destes, conclui finalmente que o oxigénio é uma parte do ar. Com Dalton, 30 anos depois, o oxigénio é integrado na teoria atómica da matéria. Em termos de conceito o oxigénio foi sendo inventado ao mesmo tempo que o gás foi sendo descoberto. Aquilo que nos parece hoje conhecimento comum já foi um lamaçal de conceitos confusos que demoraram muito tempo a ficar na forma límpida e por vezes aborrecida como os encontramos hoje nos livros da escola.
[adaptação livre do texto de Jonh Lienhard que refere a descoberta do oxigénio em The engines of Our Ingenuity, Oxford, 2000, p. 206-207]
Para saber mais:
Thomas S. Kuhn The Structure of Scientific Revolutions, 1962. (Acabou de ter uma edição em português pela editora Guerra e Paz)
Quando Priestley primeiro isolou o oxigénio julgou que tinha obtido gás hilariante. Um ano depois concluiu que tinha removido o flogisto do ar. Ao mesmo tempo Lavoisier também isolou o oxigénio e julgou tratar-se de ar num estado muito puro. Dois anos depois concluiu que era afinal uma parte do ar, mas que só existia quando este era aquecido. Acompanhando o trabalho de Priestley e Lavoisier, Scheele, depois destes, conclui finalmente que o oxigénio é uma parte do ar. Com Dalton, 30 anos depois, o oxigénio é integrado na teoria atómica da matéria. Em termos de conceito o oxigénio foi sendo inventado ao mesmo tempo que o gás foi sendo descoberto. Aquilo que nos parece hoje conhecimento comum já foi um lamaçal de conceitos confusos que demoraram muito tempo a ficar na forma límpida e por vezes aborrecida como os encontramos hoje nos livros da escola.
[adaptação livre do texto de Jonh Lienhard que refere a descoberta do oxigénio em The engines of Our Ingenuity, Oxford, 2000, p. 206-207]
Para saber mais:
Thomas S. Kuhn The Structure of Scientific Revolutions, 1962. (Acabou de ter uma edição em português pela editora Guerra e Paz)
Acesso ao Ensino Superior 2009 (parte 2)
Se calhar poderia haver alguma esperança para os obcecados com a medicina e para a sociedade, agora que os cursos de medicina têm obrigação legal de recrutar licenciados em cursos de áreas científicas para um número cada vez maior das suas vagas, mas não sei se será mesmo assim, como mostra esta notícia já com uns meses!
E quanto aos números da empregabilidade? As percentagens da OCDE publicadas recentemente são negras, mas quem dá a notícia não nos diz quais os cursos com piores resultados. Suspeitamos que sejam as carradas de licenciados em psicologia, direito, e outros mas não temos a certeza. Os números dos centros de emprego não dizem nada: todos os cursos têm gente lá. Só não há de medicina porque deve ser considerado demasiado humilhante ou absurdo. Nos curso de química e química industrial, que tenho responsabilidades, temos inquéritos aos ex-alunos que indicam uma empregabilidade de 100% no primeiro ano com 40% logo à saída do curso. Deveríamos ter divulgado esses inquéritos para os media; ainda há uns dias vinha referido no Diário Económico em letras gordas um curso com índices idênticos. Mas será que podemos confiar nos jornais? Num diário em que fazia uma lista de cursos com saída na capa aparecia o curso de biologia, mas no miolo do artigo nem uma referência! As universidade privadas há muito que fazem uma publicidade acirrada.Os cursos do Politécnico enchem os centros comerciais na altura das candidaturas. A minha Universidade orgulha-se de preencher as vagas quase todas com uma maioria de primeiras escolhas. Ninguém quer perder a dignidade, mas ter alunos é fundamental.
Mas as Universidades não são só os alunos. As universidade são polos de saber, cultura e inovação. Um excessivo centramento da universidade nos alunos não é bom para ninguém, embora, claro, a razão de ser das universidades seja o estudo e os que estudam: os estudantes.
Sexta-feira, Outubro 2
Campanhas (negras)
Muito se fala de gamelas nos media, a propósito destas declarações de Elisa Ferreira:
«É uma grande vantagem ter alguém que não vem para a câmara porque quer protagonismo ou porque quer uma gamela. Eu perco uma gamela para vir para o Porto por amor à cidade»
Alguns títulos de notícias:
"Estou disposta a 'perder a gamela de Bruxelas'"
"Rangel não gostou da 'gamela' de Elisa"
"Porto: 'Perco uma gamela para vir para a Câmara do Porto' - Elisa Ferreira"
Mas afinal o que é uma gamela? Curiosamente, o dicionário Priberam da Língua Portuguesa diz que é:
"Indivíduo que trabalha como engenheiro sem ser diplomado."
«É uma grande vantagem ter alguém que não vem para a câmara porque quer protagonismo ou porque quer uma gamela. Eu perco uma gamela para vir para o Porto por amor à cidade»
Alguns títulos de notícias:
"Estou disposta a 'perder a gamela de Bruxelas'"
"Rangel não gostou da 'gamela' de Elisa"
"Porto: 'Perco uma gamela para vir para a Câmara do Porto' - Elisa Ferreira"
Mas afinal o que é uma gamela? Curiosamente, o dicionário Priberam da Língua Portuguesa diz que é:
"Indivíduo que trabalha como engenheiro sem ser diplomado."
Terça-feira, Setembro 29
Psiquiatras
O actual momento político faz-me lembrar este sketch (que começa aos 0:56)...
Roger Tsien: lições de um Nobel ou, contra toda a cagança
Roger Tsien foi prémio Nobel da Química no último ano. O prémio foi-lhe atribuído pela descoberta da gfp (green fluorescent protein) uma proteína que faz com que alguns peixes, os jellyfish, sejam luminosos. A descoberta revolucionou a biologia celular e a neurobiologia já que a sua utilização permite “ver” acontecimentos ao nível da célula. Tudo isto dito de uma forma grosseira. No WMIC de Montreal, Roger Tsien proferiu uma magistral lição inaugural. Esperar-se-ia que de seguida fosse transportado qual Abraracourcix e fosse gozar a sua glória para outro sítio. Em vez disso, Roger esteve em todas as conferências, como qualquer um de nós, a tirar apontamentos sem cessar, a fazer perguntas, com a humildade que teria um dos últimos alunos. Numa das tardes eu estava sentada num banco do corredor e ele ao lado a trabalhar no seu laptop, aproximou-se um rapaz novo e disse-lhe da admiração que lhe tinha e como tinha apreciado a sua lição, pediu-lhe se lhe podia disponibilizar os slides. Ao que Roger Tsien respondeu, com todo o prazer, deixe-me o seu email que eu envio, receio é que os filmes possam não funcionar. Assim, simplesmente. Roger Tsien, uma lição para a vida.
Sexta-feira, Setembro 25
Acesso ao Ensino Superior 2009 (parte 1)
Tem havido um aumento significativo de ingressos no ensino superior, mas as colocações continuam a espelhar o nosso atraso cultural. Cursos com saída quase nula e com o mercado saturado, como arquitetura, psicologia, antropologia, sociologia e direito, por exemplo, continuam a ter carradas de candidatos e vagas. Os cursos ligados à saúde continuam a ser os mais procurados, o que é aparentemente normal pois diz-se (e se calhar é verdade em termos concretos, mas talvez não estatísticos) que faltam médicos. O que não é normal são as dezenas de cursos que têm a saúde ou a biomedicina como chamariz. Em alguns casos parece mesmo um esquema em pirâmide: o único emprego até poderá ser formar mais pessoas com a mesma formação...Em contrapartida há formações superiores de que o país tem falta, mas que não preenchem as vagas. Digo que o país tem falta, mas isso não é assim tão claro. Veja-se, por exemplo a química que é uma formação de banda larga. São formados carradas de licencidados e mestres em cursos que têm alguma coisa a ver com a química, como farmácia e engenharias. Algumas destas pessoas vão acabar por realizar as actividades que deveriam ser realizadas por químicos, mas como não são especialistas não têm a produtividade e capacidade de inovação que seriam desejáveis; as instituições e empresas em que se inserem acabam por se dedicar a burocracias e rotinas, processos antiquados, conversa fiada e arremedos tecnológicos para inglês ver. E assim até parece que nunca precisaram de especialistas; qualquer pessoa servia. Mas isso não é verdade: os especialistas fazem falta. Se as nossas empresas inovam na engenharia ou na informática é porque temos especialistas. E se as nossas empresas farmacêuticas pouco inovam é porque têm poucos especialistas em química. E não se julge que se pode inovar em energias renováveis e combustíveis alternativos sem os químicos. Tal como não se pode inovar na indústria extractiva sem químicos e geólogos.
Aliás, parece que isso não acontece só com os químicos. Os engenheiros biomédicos, por exemplo, tomam o lugar dos físicos e engenheiros físicos que quase não há. E também pode acontecer o contrário, os biólogos, que há às carradas, a tomarem o lugar dos biólogos marinhos e dos diplomados em ciências do mar. Ou seja, isto não parece ser linear nem fácil de organizar...
Terça-feira, Setembro 22
A síndrome de Tourette de Sócrates
"Sócrates requer abertura de processo contra jornalista João Miguel Tavares",
mas
"Nem só de pão vive o homem, senhor engenheiro".
mas
"Nem só de pão vive o homem, senhor engenheiro".
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Sexta-feira, Setembro 11
Cantigas
"É de elementar justiça dizer-se que o actual Governo é um dos que menos interferiram com a comunicação social que dele depende."[...]
"Nunca a informação das estações públicas de rádio e de televisão teve tanta qualidade e tanta isenção e imparcialidade como hoje."
António Marinho e Pinto (Bastonário da Ordem dos Advogados), Jornal "Público", hoje.
Terça-feira, Setembro 1
Viagem ao futuro
No passado Domingo deliciei-me a ver um filme em que um dos personagens é um Conde que vive em 1876 (?) e é, inadvertidamente, trazido para os nossos dias. O filme gira em torno do intemporal tema do amor e da forma como encaramos as nossas vidas face às contingências dos nossos tempos. O dito personagem (Leopold) regressa ao seu tempo não sem antes ter experimentado realidades que nos são quotidianas, desde o telefone, ao microondas, etc. Percebe-se que após o seu regresso viverá uma vida feliz e que terá um grande impacto na sociedade da altura, quiçá consequência da sua "viagem ao futuro".
Confesso que a minha capacidade de análise cinéfila deixa muito a desejar: é que para mim é (quase) sempre um divertimento ver um filme e muitos dos pormenores que podem distinguir um bom de um mau filme passam-me despercebidos. Também não tenciono tornar-me crítico de cinema e também não é isso que inspirou o presente texto. A questão em que fiquei a pensar é quantos de nós teriamos a capacidade de alterar, melhorar, enfim ter impacto na sociedade, se nos fosse dada a oportunidade de visitar o futuro?
Imaginemos, então, o nosso crononauta a saltar para daqui a, digamos, 30 anos, regressando pouco depois. Que capacidades deveria ter para que depois do seu regresso conseguisse implementar coisas que tinha visto ou simplesmente que ajudasse a evitar acontecimentos nefastos?
A idade afigura-se como algo a ter em consideração: alguém muito novo não teria a experiência, o conhecimento e o discernimento para perceber a nova realidade que avistaria. Alguém muito idoso não teria (?) no regresso a vontade, o empenho e a força vital de tentar "mudar o mundo"! Mas o conhecimento também jogaria um papel importante. Parece-me que um néscio aproveitaria pouco...
Assim, creio que um jovem com sólidos saberes poderia ser o indíviduo que deveriamos enviar!
Estas questões assaltam-me muitas vezes mas sob outra forma. Na realidade todos nós somos viajantes do tempo, obrigados a seguir em direcção ao futuro. É por isso que quando penso em educação não consigo afastar-me da ideia de preparação dos alunos para daqui a 10, 20 ou 30 anos. Quais são os saberes que se devem transmitir que farão a diferença? Quais são os conhecimentos de que devemos dotar os nossos jovens para que se/quando tiverem um vislumbre do futuro possam alterar o rumo do mundo. O que deve um jovem aprender hoje que permaneça válido durante o tempo em que trabalhar?
Entristece-me que as discussões da educação se centrem muito sobre o presente, algo sobre o passado e demasiadas vezes sobre os umbigos... O chavão é "educar para o futuro" mas estaremos nós em consciência e com a profundidade que se exige a questionar se realmente estamos a preparar os nossos alunos para o futuro? E que futuro?
Será que o sucesso que se tem procurado contribui para que o "mundo pule e avance"?
Temo que os nossos crononautas estejam a ser paulatinamente limitados à contemplação do avanço dos outros muitas vezes sem atingir o alcance total da realidade...
Confesso que a minha capacidade de análise cinéfila deixa muito a desejar: é que para mim é (quase) sempre um divertimento ver um filme e muitos dos pormenores que podem distinguir um bom de um mau filme passam-me despercebidos. Também não tenciono tornar-me crítico de cinema e também não é isso que inspirou o presente texto. A questão em que fiquei a pensar é quantos de nós teriamos a capacidade de alterar, melhorar, enfim ter impacto na sociedade, se nos fosse dada a oportunidade de visitar o futuro?
Imaginemos, então, o nosso crononauta a saltar para daqui a, digamos, 30 anos, regressando pouco depois. Que capacidades deveria ter para que depois do seu regresso conseguisse implementar coisas que tinha visto ou simplesmente que ajudasse a evitar acontecimentos nefastos?
A idade afigura-se como algo a ter em consideração: alguém muito novo não teria a experiência, o conhecimento e o discernimento para perceber a nova realidade que avistaria. Alguém muito idoso não teria (?) no regresso a vontade, o empenho e a força vital de tentar "mudar o mundo"! Mas o conhecimento também jogaria um papel importante. Parece-me que um néscio aproveitaria pouco...
Assim, creio que um jovem com sólidos saberes poderia ser o indíviduo que deveriamos enviar!
Estas questões assaltam-me muitas vezes mas sob outra forma. Na realidade todos nós somos viajantes do tempo, obrigados a seguir em direcção ao futuro. É por isso que quando penso em educação não consigo afastar-me da ideia de preparação dos alunos para daqui a 10, 20 ou 30 anos. Quais são os saberes que se devem transmitir que farão a diferença? Quais são os conhecimentos de que devemos dotar os nossos jovens para que se/quando tiverem um vislumbre do futuro possam alterar o rumo do mundo. O que deve um jovem aprender hoje que permaneça válido durante o tempo em que trabalhar?
Entristece-me que as discussões da educação se centrem muito sobre o presente, algo sobre o passado e demasiadas vezes sobre os umbigos... O chavão é "educar para o futuro" mas estaremos nós em consciência e com a profundidade que se exige a questionar se realmente estamos a preparar os nossos alunos para o futuro? E que futuro?
Será que o sucesso que se tem procurado contribui para que o "mundo pule e avance"?
Temo que os nossos crononautas estejam a ser paulatinamente limitados à contemplação do avanço dos outros muitas vezes sem atingir o alcance total da realidade...

